Nicolau, motorista de aplicativo, para no farol e é violentamente ASSALTADO por pensamentos sombrios, quando o seu carro é atacado por gentis cavalheiros mascarados, com rodinhos deslizantes, panos nas mãos e jatos d'água esguichados, vindos não se sabe de onde, que querem gentilmente limpar o seu para-brisas, mesmo depois dele gesticular desesperadamente e espernear, e agradecer, quase chorando, e implorar de mãos juntas que não é preciso tamanha gentileza. Nada adianta. Eles são determinados e não desistem de praticar suas gentilezas de farol. Estes senhores mascarados são mesmo muito determinados. E ele se prostra resignado. Os conflitos principais e periféricos são colocados intermitentemente em confronto, numa cidade como São Paulo. Tudo se mistura e confunde, fundindo-se e criando uma tensão cada vez maior no cidadão/expectador/personagem, que somos todos nós. Uma cidade que cria camadas de narrativas reais e imaginárias. O que vemos no dia a dia da cidade é apenas a ponta do iceberg. A outra parte, submersa, é a parte mais instigante para a imaginação de qualquer leitor.