Sucede que Portugal é um fenómeno que desafia não só as leis da economia moderna, mas também as da física elementar. Somos o único país do mundo capaz de projetar um novo aeroporto com a precisão de um relógio suíço, apenas para, logo a seguir, decidir que o melhor é ir lanchar e deixar a decisão para o próximo mandato (ou para a próxima encarnação).
Nesta antologia de crónicas, o leitor é convidado a atravessar o labirinto de 2025: um ano em que a justiça tenta migrar para sistemas informáticos que funcionam a vapor, em que o Alojamento Local é ora o vilão da habitação ora o salvador do PIB, e em que o Estado tenta convencer um idoso de que 630 euros são o passaporte para uma vida de fausto e luxúria.
Pelas mãos de um narrador que olha para a realidade nacional com o espanto de quem vê um ilusionista a falhar o truque, mas a pedir palmas na mesma, este livro disseca temas como:
- O braço de ferro das polícias (porque a autoridade também tem contas para pagar);
- O Mundial 2030 (onde o betão é a nossa principal exportação espiritual);
- A Eutanásia (provando que, em Portugal, nem para morrer se escapa a uma comissão de verificação).
"Temos Tudo para dar Certo, mas fomos tomar Café" não é apenas um livro de crónicas políticas; é um diagnóstico clínico sobre um povo que domina a arte do "desenrasque", que adora um carimbo oficial e que acredita, piamente, que todos os problemas estruturais do país se resolvem se a bica vier curta e o interlocutor for porreiro.
Um guia essencial para quem quer perceber Portugal sem precisar de um mapa, mas de preferência acompanhado por um pastel de nata. Porque o futuro pode esperar, mas o café arrefece.