Invisibilidade não é sinônimo de inexistência. Tem mais a ver com indiferença. Ser invisível é estar à margem da existência. É alguém cuja realidade preferimos ignorar, que não nos interessa se vivem ou se morrem. No final são números, estatísticas, anônimos relegados ao esquecimento. Excluídos, às vezes voluntariamente, mas muitas vezes frutos amargos de decisões ruins, ou apenas vítimas do impiedoso acaso. E, por esse motivo, portadores de seus próprios dramas, tragédias, anedotas, romances, decepções, conquistas e derrotas. Podem ser mendigos e garotos de rua, mas também pais suburbanos ou vagabundos, assalariados ou pilantras, prostitutas ou recatadas, todos em um universo onde a moral é flexível e as escolhas sempre difíceis. As crônicas dessa coletânea tentam reverter esse quadro, trazendo estas histórias, que todos nós já ouvimos ou mesmo vivemos de maneiras diferentes, para o centro do picadeiro, sem julgamentos ou moralismos. Dramas, tragédias e mortes, mas também aventura, humor e erotismo. São experiências de nosso cotidiano, momentos culminantes ou triviais, mas que por um breve instante nos transformam em protagonistas de nossas biografias, heróis de nossa própria narrativa. Visíveis, para nossos pares e para a sociedade, mas principalmente para nós mesmos. Lembre-se: Esta é uma obra de ficção. Mas qualquer semelhança com nomes, pessoas, fatos ou situações da vida real poderá ser muito mais que mera coincidência.