Lauro Braga nunca planejou ser político. Filho do litoral, criado entre a fé, a simplicidade e o mar, acreditava que a política só fazia sentido quando nascia do cuidado, do gesto que transforma, do olhar que acolhe, da coragem que persiste. Por isso, sua eleição para prefeito de Sofrência parecia um milagre. Na reeleição, tornou-se referência em turismo, preservação ambiental e gestão pública, chamando a atenção até da imprensa internacional.
Agora, diante do desafio de disputar uma vaga de deputado federal, Lauro precisa romper os limites do seu pequeno colégio eleitoral e enfrentar algo ainda mais difícil: os abismos afetivos e sociais que separavam sua vida pessoal de sua vocação pública.
Denise, sua namorada, psicóloga de família influente, tenta moldá-lo a um padrão que não é o seu. Ela o chama de boipeba, termo indígena para tartaruga marinha, usado por ela de forma velada e depreciativa contra seu jeito preto, caiçara e interiorano. Gabriela, bióloga do Projeto Tamar, enxerga exatamente o oposto. Ela diz que ele se parece com uma tartaruga, mas vê nele a força silenciosa de quem resiste, retorna e persiste, como as tartarugas que ama e protege.
Entre tensões políticas, preconceitos, disputas de poder e um ideal de "amor político" que desafia a lógica do ódio e da autopreservação, Lauro atravessa um rito de passagem que o levará das praias de Sofrência aos gabinetes de Brasília, descobrindo que a ternura, quando sustentada por coragem, pode mudar não apenas um destino, mas um país inteiro.