Escritor diante das p ginas em branco do seu pr ximo romance, sob uma tempestade fantasmag rica, reflete sobre certas personagens da narrativa, sem saber ao certo o que aconteceu de verdade e o que saiu de sua imagina o.Assim, ao se deparar com a estranha dentro de seu quarto, associada tempestade l fora, ele se pergunta se ela era a estranha que o seguira sob a chuva, se n o passava de uma personagem das p ginas em branco trazida pela pr pria imagina o, ou um fantasma.No di logo entre os dois, ela diz: _ Me fa a no seu livro a mulher surgida da tempestade. Voc conhece o tipo; um grande vestido negro, olhos que brilham na escurid o, l bios vermelhos e risada maligna; uma caranguejeira humana. Devora os homens como a aranha devora as moscas ca das na teia. Uma mulher aqui fora, uma caranguejeira humana no romance. Ele tem que lidar com ambas.Ela o convida a segui-la at um cemit rio abandonado onde, entre t mulos centen rios, ele descobrir o mist rio que ronda a sua personagem e, com ela, o romance.No cemit rio ela confessa que gosta de passar horas ali dentro, na verdade uma boa parte da vida, nico lugar em que se pode experimentar uma paz absoluta. H algo que paira no ar. Com o desenvolvimento da conversa surge o assunto de que o cemit rio abandonado n o mera coincid ncia, poderia ser, segundo ela ( caso ele acreditasse em reencarna o), que eles tivessem vivido um grande amor no passado, amor este interrompido de maneira brutal, e que a presen a dela no romance (na vida) teria o objetivo de completar o que n o foi poss vel no passado.E, com isso, eles chegam a um determinado t mulo, cujas inscri es na l pide explicariam parte da hist ria.Tratava-se de caso de adult rio, que o marido assassinou a esposa ao descobrir. S que, com o correr dos fatos o escritor n o sabe se, na hist ria contada, ele era o amante ou o marido. E, no caso deste ltimo, a presen a dela ali teria o objetivo de vingan a, n o do amor interrompido.Do lado desta sequ ncia, que faria parte do conte do do romance, existe o lado real da vida do escritor, quando em vez de condutor ele n o passa de mero ator. O escritor tem uma livraria num com rcio local. O problema que as cal adas est o apinhadas de pedintes, na sua maior parte, adolescentes. Existe uma trama de acabar com os pedintes, na verdade assassin -los. O escritor envolvido na trama a contra gosto e decide salv -los.O principal que existe uma penetra o entre a trama do romance e a realidade, algo que se aprofunda a tal ponto que se torna imposs vel distinguir o que pertence a um dom nio, ou ao outro.