Após pedir licença do trabalho como professora de uma das escolas de engenharia mais renomadas do Brasil para acompanhar o marido em seu trabalho na Alemanha, Nadiane Smaha Kruk deparou-se com um mercado de trabalho e uma organização da sociedade totalmente diferentes. Ela começou a se interrogar sobre questões que anteriormente não lhe tiravam o sono. Se, por um lado, já não admitia mais voltar à realidade do Brasil, em que, geralmente, ambos os cônjuges trabalham o dia inteiro e terceirizam o cuidado com os filhos, por outro lado, ela não se sentia realizada profissionalmente trabalhando em tempo parcial, como é na Alemanha o modelo predominante para as mulheres após o nascimento dos filhos. A autora conta sua trajetória e experiência de mãe e profissional no Brasil e na Alemanha, apresentando os prós e contras dos modelos sociais adotados nesses países. Fundamentada em uma extensa pesquisa bibliográfica, suas impressões e inquietações são ratificadas por diversas publicações. Nadiane compartilha sentimentos de culpa, exaustão e frustração profissional, os quais atingem grande parte daqueles que desejam exercer uma parentalidade responsável e consciente, enquanto batalham para manter suas carreiras profissionais. Sua pesquisa mostra que a conta não fecha e o tão sonhado equilíbrio vida-trabalho passa a ser apenas uma falácia, principalmente, para as mulheres que ainda são responsáveis pela maior parte das tarefas domésticas e do cuidado com os filhos. Os dados apontam que esse desequilíbrio não está limitado às fronteiras do Brasil e da Alemanha, mas espraiado em diversos outros países, tornando a causa um problema global. Um modelo vanguardista é proposto em prol de um melhor equilíbrio entre vida profissional e pessoal, e de uma sociedade mais saudável e justa, com verdadeira equidade de gênero. É um livro que incita o debate e a quebra de paradigmas.