Como é o sentimento dos cegos em relação ao tempo? Imagine um cego nascido no fim do século XIX, que atravessou o século XX, e ainda viveu o início do século XXI. Como ele percebeu todas as grandes mudanças nas cidades, na tecnologia, na moda, nos transportes, se ele não podia vê-las? E como ele percebeu a discriminação social pela cor da pele, pelo modo de se vestir, pela forma e pesos das pessoas, pelos padrões de imagem repetidos pelas telas de tv e cinema? E se esse cego, no fim do século XIX, tiver nascido escravo no passado, como ele entenderia a vida, as transformações e os fatos históricos em que viveu? Essas são as questões apresentadas no primeiro conto deste livro. Já o cego do segundo conto, é um idoso que passou a vida dentro de uma biblioteca, ou melhor, de uma livraria. Como ele "enxerga" a vida e os seus mistérios, o amor, o sexo, a psiquê do ser humano, a história e a própria literatura? São essas "visões" repletas de idiossincrasias que são abordadas no livro OS CEGOS E O TEMPO, e nos ajudam a ver o mundo e a vida com novos olhos...