Cinema e Capital: Arte, Indústria e Poder investiga a contradição estrutural que acompanha o cinema desde seu nascimento: a de ser, simultaneamente, arte e mercadoria. Desde as primeiras projeções dos irmãos Lumière até as plataformas digitais do século XXI, a sétima arte se desenvolveu dentro das engrenagens do capitalismo, oscilando entre a busca estética e a lógica da produção em massa.
José Nogueira Lima examina essa tensão com olhar crítico e humanista, revelando como o cinema reflete, interpreta e questiona as forças econômicas e simbólicas que o sustentam. Mais do que um entretenimento, o filme é aqui compreendido como forma de pensamento: um espelho da modernidade e, ao mesmo tempo, uma máquina de produção de sentido. A cada avanço técnico - do som ao digital, do estúdio ao streaming - o cinema redefine sua própria natureza, reinventando o modo como a sociedade vê a si mesma.
Com linguagem clara e ensaística, o autor articula história, teoria e filosofia para compreender o cinema como arte impura - expressão que André Bazin utilizava para designar a inseparabilidade entre criação estética e base industrial. Inspirado também pela crítica da indústria cultural de Adorno e Horkheimer, o livro analisa como a reprodutibilidade técnica e o consumo em escala transformaram a experiência artística em mercadoria, mas sem extinguir sua potência crítica e poética.
Em vez de lamentar a contaminação entre arte e mercado, Cinema e Capital propõe entendê-la como motor da própria vitalidade do cinema. É dessa fricção que nascem as grandes obras: da convivência entre o gesto criador e o cálculo econômico, entre a invenção e a padronização, entre o desejo de expressão e o imperativo da bilheteria. O autor mostra como a linguagem cinematográfica, mesmo subjugada pela lógica industrial, resiste - abrindo frestas de liberdade, pensamento e beleza em meio ao espetáculo.
A obra percorre momentos decisivos da história do cinema - do realismo poético às vanguardas, do neorrealismo à Nova Hollywood - e discute como cada transformação tecnológica e social reconfigura a relação entre artista, público e capital. Ao mesmo tempo, insere essa reflexão em um horizonte filosófico mais amplo, no qual a imagem cinematográfica se torna um modo de interrogar o próprio destino da arte na era das mercadorias.
Cinema e Capital: Arte, Indústria e Poder é um convite à leitura do cinema como pensamento crítico da modernidade. Uma análise que ultrapassa a cinefilia e alcança a filosofia, a economia política e a história cultural. Um livro para quem deseja compreender como o cinema se tornou o espelho mais brilhante - e contraditório - do mundo que o produziu.